sexta-feira, 16 de abril de 2010

Oboé-Pequeno Historial


O Oboé e o fagote encontram-se no grupo de instrumentos que partilham da mesma forma de emissão de som: uma palheta dupla.

Esta palheta dupla composta por duas "lâminas" de cana fixas a um tubo de latão, vibram quando o ar passa entre elas. As vibrações obtidas produzem um som rouco, ainda longe dos sons melodiosos a que estamos habituados. Foram precisos alguns alguns séculos de aperfeiçoamento dos inúmeros tipos de instrumento, aperfeiçoamento esse que ocorreu praticamente só na Europa. Encontramos ainda hoje em civilizações apor exemplo nas africanas e asiáticas, os mais diversos instrumentos de palheta dupla que não sofreram evolução.

A matéria, a solidez, a forma e a raspagem das palhetas, tem grandes variações de país para país, mas o seu uso é comum a todos, produzir som. Ao contrário do que se passa hoje com o Oboé actual onde as duas lâminas de cana vibram "livremente" no interior da boca, controladas pelos lábios, fazendo assim a vez de uma câmara de pressão. Para obter som do instrumento, os nossos antepassados apoiavam os lábios numa superfície rígida que poderia ter várias formas não havendo qualquer controle do som. Imagine-se por exemplo, um grande grupo de tocadores de Bombarda, instrumento utilizado na Idade Média a tocar em uníssono, o volume sonoro produzido era enorme. Consta ser uma táctica utilizada nas batalhas para amedrontar o inimigo.

Os instrumentos de palheta dupla são utilizados no mundo inteiro desde os tempos mais remotos. As provas mais antigas levam-nos à Suméria a primeira civilização a utilizar a escrita, três mil anos a. C.

Conhecemos sobretudo o Aulos grego e a Tibia romana, mas encontram-se ainda hoje "Oboés" que evoluíram muito pouco e que nos dão a ideia de como eram os instrumentos primitivos. Apesar de serem diferentes, estes apresentam algumas analogias.

No Aulos, a phoerbia, era como um "açaime" preso à cabeça por tiras de couro que tinha um orifício por onde passava a palheta. Este sistema apresentava bastantes problemas, segundo textos e gravuras da época, pode ver-se que o executante fazia um grande esforço para conseguir tocar, distendendo as faces ficando com os olhos ejectados de sangue.

Na "nossa" Idade Média, as Bombardas e Charamelas são usadas em diversas ocasiões. Mas foi na Renascença (Séc.XVI), e graças aos primeiros tratados de organologia que ficamos a saber da grande evolução que os instrumentos tiveram. O espírito inventivo da época trouxe melhoramentos consideráveis, por exemplo a distância entre orifícios diminuiu, aparecem as primeiras chaves nos instrumentos graves, o apoio dos lábios fica mais curto permitindo assim um controle sobre a palheta, melhorando a sonoridade a afinação. O espírito musical desta grande época pode dizer-se que se centrou na unidade e interpretação colectiva.

No fim do Séc. XVI princípio de XVII, dá-se a grande mudança com o aparecimento da ópera , género musical onde a voz é solista. Para esta nova forma são precisos instrumentos que acompanhem, (imitem) o que a voz canta, assim no decorrer deste século e no seguinte, assiste-se à introdução de "novos" instrumentos nas orquestras. As Flautas de bisel são substituídas pela Flauta travessa ou alemã, alguns instrumentos de palheta dupla, pela sua rudeza são postos de lado, mas em contrapartida o fagote ou basson ganha terreno. O controle do som já é feito pelos lábios e a sua sonoridade é aceite pelos compositores.

Só em 1657 a 17 de Janeiro, Lully, utiliza o oboé (hautbois-madeira aguda) pela primeira vez no bailado "l'Amour malade", embora não haja uma alusão concreta ao instrumento, há uma indicação inglesa de aproximadamente 1695 que refere: "O presente Oboé com menos de 40 anos, é um aperfeiçoamento do (grande) Oboé francês, muito semelhante às nossas Charamelas", aqui o adjectivo grande não é para classificar o tamanho mas a tessitura, seria um oboé grave. Neste comentário ao subtrair cerca de 40 anos à data, ficamos com mais certezas que o nosso Oboé entrou oficialmente na orquestra de Lully em 1657.

Daqui em diante o Oboé só conheceu a glória. No período Barroco e Clássico é utilizado por todos os compositores, tanto na orquestra como em solista, mas tecnicamente evolui pouco e Mozart começa a preferir o Clarinete, pela sua sonoridade doce e emissão fácil.

Em 1799 nasce Henri BROD, grande virtuoso e pedagogo que veio sobretudo inovar a construção do Oboé, melhorando a forma interior, modernizando o mecanismo e a grande inovação: inventou os actuais "pratos" onde encaixam as sapatilhas, possibilitando uma maior precisão em toda a construção.

Beethoven escreveu um concerto para Oboé que se perdeu. No Romantismo só há lugar para o Oboé na orquestra. Robert Schumann compôs as "Drei Romanzen op.94" para as oferecer a Clara Schumann como prenda no Natal de 1849. Sendo esta a única obra de um compositor representativo do período romântico escrita originalmente para oboé. Como se disse, na orquestra o oboé tem um papel de extrema importância, nas sinfonias de Brahms, Mendelssohn, nas óperas de Rossini, Verdi, Wagner, é sobretudo com os dois últimos, que também o Corne-inglês tem um papel de destaque, basta referir alguns solos importantíssimos de óperas: (Verdi) "Baile de Máscaras", "Falstaff", "D. Carlos", Wagner "Tristão e Isolda" e em todas as Óperas deste compositor o C.I. tem sempre algo a "cantar". G. Rossini na abertura do "Guilherme Tell", escreveu um magnífico solo acompanhado a flauta.

Ainda na segunda metade do Séc.XIX a 13 de Outubro de 1842, nasce em Palermo (Sicília) Antonino PASCULLI. Oboísta-compositor, achando que não havia obras que satisfizessem a sua virtuosidade, resolveu escreve-las. Temos assim no nosso repertório e a título de exemplo: "Fantasia" Sull' Opera Poliuto di Donizetti, "Gran Concerto" su temi dall' Opera "I Vespri Siciliani" di Verdi, etc., podemos considerar estas obras ainda do período Romântico.

Devemos a Felix Mendelssohn o renascer do esquecido Johann Sebastian Bach, que é também o renascer da família dos OBOÉS, desde então votada a um imerecido esquecimento, sobretudo o Oboé d'Amor com a sua sonoridade entre o oboé e o C.I., tem o timbre ideal para acompanhar as vozes que Bach desejava que chegassem a Deus.

Antes de continuar quero esclarecer que a denominação de Corne Inglês nada tem a ver com os ingleses. Deve-se este nome não a um erro de tradução, mas talvez a uma "acomodação" linguística. Em alemão chamavam-lhe Engelisch-horn (trompa angelical ou dos anjos).

No virar do Séc. XIX para o Séc. XX assistimos à grande mudança já com Ravel, que no seu concerto para Piano em Sol, compõe no segundo andamento um dos solos mais belos para C.I, seguindo-se Stravinsky, etc, etc, etc.

No que diz respeito ao aperfeiçoamento do instrumento, este atingiu a configuração actual em 1906, com o modelo do Conservatório de Paris. Outros países criaram modelos próprios, mas sempre com base no sistema francês. As grandes melhorias dos últimos anos, centram-se na afinação, precisão e durabilidade do mecanismo, homogeneidade do som em todos os registos, facilidade de emissão sobretudo na região grave.

Para terminar, quero dizer a todos os que estudam ou venham a estudar Oboé, que o façam com vontade e determinação, temos assim a possibilidade de nos aperfeiçoar como pessoas e com o nosso exemplo mostrar que vale a pena lutar pela MÚSICA.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

No início era o Vento...


No início era o Vento, depois...bem depois não se sabe muito bem porquê o Homem começou a descobrir coisas e descobriu que produzir sons ajudava a passar o tempo entre caçadas ou ajudava a caçar...foi aperfeiçoando as técnicas de modo que no Séc. XXI ninguém passa mais de 30' sem ouvir música ou qualquer ruído que se assemelhe a uma melodia por mais simples e breve que seja.
Mas estarão todos conscientes do trabalho inerente à criação artística, quando se copia vezes sem conta o trabalho alheio?, penso que não
É bom que se reflicta sobre aquilo que são os direitos dos criadores e pensar que não se pode, só porque os meios técnicos actuais nos permitem, duplicar, alterar, vezes sem conta o trabalho dos outros.